[Resenha] A Prisão do Rei

Autora: Victoria Aveyard
Editora: Seguinte
Páginas: 544
Skoob
Onde comprar: Amazon
Sinopse: Mare Barrow foi capturada e passa os dias presa no palácio, impotente sem seu poder, atormentada por seus erros. Ela está à mercê do garoto por quem um dia se apaixonou, um jovem dissimulado que a enganou e traiu. Agora rei, Maven continua com os planos de sua mãe, fazendo de tudo para manter o controle de Norta — e de sua prisioneira. Enquanto Mare tenta aguentar o peso sufocante das Pedras Silenciosas, o resto da Guarda Escarlate se organiza, treinando e expandindo. Com a rebelião cada vez mais forte, eles param de agir sob as sombras e se preparam para a guerra. Entre eles está Cal, um prateado em meio aos vermelhos. Incapaz de decidir a que lado dedicar sua lealdade, o príncipe exilado só tem uma certeza: ele não vai descansar enquanto não trouxer Mare de volta.

Olá, amores! Andei um pouco sumida esses dias por causa do feriado, que aproveitei para colocar algumas leituras em dia (se preparem para muitas resenhas nos próximos dias), mas hoje vim falar sobre A Prisão do Rei, o livro mais polêmico de uma série que já vem dividindo opiniões desde o primeiro volume, A Rainha Vermelha.
Quem me acompanha aqui no blog sabe o quanto eu defendi os dois primeiros volumes da série, especialmente Espada de Vidro. No entanto, eu admito que foram tantas resenhas negativas sobre A Prisão do Rei que eu estava com as expectativas muito baixas, apesar de ter amado o livro anterior. Isso acabou sendo bom, pois eu estava preparada para encarar um livro lento e arrastado, mas a leitura acabou fluindo até bem, apesar de deixar a desejar em alguns aspectos.
Para quem não leu A Rainha Vermelha e Espada de Vidro, recomendo que não continue a leitura desta resenha, pois será inevitável falar sobre acontecimentos desses dois livros. Para quem já leu esses dois, podem ficar tranquilos que não haverá spoilers do terceiro.
O livro começa exatamente do ponto em que o segundo havia terminado. Mare se entrega para Maven a fim de salvar Cal e seus amigos da Guarda Escarlate e agora vive presa no castelo de Withefire, totalmente à mercê de um rei que se mostra cada dia mais desequilibrado. Após Mare ter matado a rainha Elara em Espada de Vidro, Maven passa a tomar as decisões sobre o reino sozinho, o que não diminui em nada o perigo, muito pelo contrário.
Graças à obsessão que Maven tem por Mare, os prateados no castelo estão proibidos de tocá-la ou matá-la, mas isso não significa que ela não passa por todo tipo de tortura psicológica em seu cativeiro. Tendo duas pulseiras de pedras silenciadoras, que anulam seu poder, Mare fica cada dia mais fraca. Além disso, ela tem sua mente revistada em busca de informações e os próprios diálogos com Maven são uma forma de atormentá-la cada dia mais. E, para deixar a situação ainda pior, Evangeline não perde a oportunidade de usar sua posição como noiva de Maven para torturar a “menina elétrica” e ainda usá-la para manipular o próprio Maven.
Enquanto isso, a Guarda Escarlate começa a intensificar suas ações, mas de uma maneira mais estruturada e eficiente. Cal tem um papel mais decisivo nessa mudança, apesar de suas motivações estarem mais ligadas ao desejo de resgatar Mare do que a qualquer outra coisa. Além dele, Farley, apesar de estar grávida e ainda sofrer pela perda de Shade, também tem papel importante na preparação para que a Guarda avance cada dia mais nos ataques ao reinado de Maven.
No entanto, quem dará a perspectiva dos acontecimentos envolvendo a Guarda não será nenhum dos dois. Nesse livro, temos o ponto de vista de Cameron, uma das sanguenovos recrutadas por Mare no livro anterior e que não nutre nenhum sentimento de lealdade para com a Guarda Escarlate, mas sabe que precisa deles para reencontrar seu irmão gêmeo que está servindo na guerra nas fronteiras.


A primeira coisa que preciso deixar clara sobre A Prisão do Rei é que ele é o típico livro de transição. Assim, apresenta vários altos e baixos, que, às vezes, deixam a leitura um pouco cansativa. No entanto, discordo completamente de quem acha que este livro foi desnecessário e que a autora apenas enrolou. Na verdade, ele é fundamental para que o leitor possa entender melhor a parte política, especialmente da relação de Norta com os reinos vizinhos, bem como a mente dos personagens e o papel desempenhado por eles nessa trama. Acreditem, mesmo já estando no terceiro livro, ainda há muita coisa sobre eles que não sabemos.
Nesse sentido, um dos aspectos que mais gostei no livro é que a autora se aprofunda em temas que não haviam sido tão explorados nos livros anteriores. Achei muito interessante entender melhor os reinos que faziam fronteira com Norta, bem como o que motivava os conflitos entre eles. Além disso, foi interessante ver como os rebeldes vermelhos estavam se organizando e ter uma noção de como se deu a divisão entre vermelhos e prateados. Apesar de ainda ter muitas perguntas a serem respondidas, acho que a autora conseguiu deixar esse universo mais claro para o leitor, apesar de mais complexo.
“A guerra é uma artimanha, um disfarce para manter os vermelhos sob controle. Um conflito pode acabar, mas outro sempre vai eclodir.”
Outro ponto positivo do livro é o crescimento de vários personagens. Desde A Rainha Vermelha já tinha ficado claro para mim que nenhum desses personagens seria perfeito ou aquele modelo de herói/heroína que estamos acostumados. Há quem reclame disso, mas eu acho que essa ausência de perfeição até mesmo da mocinha, deixa os personagens mais reais e interessantes. E, em A Prisão do Rei, essa impressão sobre os personagens foi reforçada.
“Odeio Maven, principalmente porque não consigo lutar contra o surto de piedade que sinto pela sombra da chama, agora tão familiar. Monstros são criados. Maven também foi. Quem sabe quem ele poderia ter sido?”

Os grandes destaques do livro, para mim, foram o Maven e a Evangeline (e acreditem, eu estou chocada por estar escrevendo isso). Começando por esse vilão que amamos odiar, Maven se torna ainda mais interessante nesse livro, apesar de muito mais perigoso. Nesse livro, descobrimos tudo que a Rainha Elara fez com a mente dele até moldá-lo de acordo com o que ela queria. Isso acaba expondo as fragilidades de Maven e permitindo que a gente perceba o menino por trás do monstro. No entanto, ao contrário do que pode parecer, quanto mais assustado e acuado ele fica, mais perigoso se torna. Assim, Maven acaba se tornando o personagem mais complexo do livro e lamentei muito a autora não ter dedicado alguns capítulos para mostrar a visão dele, pois acredito que seria muito mais interessante acompanhar o funcionamento da mente perturbada dele.


Com relação à Mare, achei que ela amadureceu bastante nesse livro. Fiquei impressionada com a força que ela demonstrou durante todo o período em que foi torturada por Maven e no modo como suas decisões foram muito mais maduras e corajosas. O Cal também se mostra mais decidido e é interessante vê-lo pela primeira vez escolhendo um lado e mostrando o estrategista que realmente é.
“Mas Mare estava usando uma máscara diferente. Obedecia suas ordens, sentava ao seu lado, levava uma vida sem liberdade ou poder. E ainda assim matinha seu orgulho, seu fogo, sua raiva. Sempre ali, queimando em seus olhos.”
Já os personagens secundários perdem muito espaço. Farley e Kilorn quase não aparecem e a trama gira realmente em torno de Mare, Maven, Cal e Evangeline. Além deles, a única que ganha destaque é a Cameron, que fica responsável por narrar alguns capítulos e mostrar o que estava acontecendo com a Guarda Escarlate. Com isso, conhecemos um pouco melhor essa personagem, porém, ela teve tão pouca importância no livro anterior que foi difícil entender a escolha da autora. Seria muito mais interessante ter a perspectiva da Farley, que não só é uma personagem mais carismática, como tinha um papel muito mais relevante dentro da trama.
 Outro ponto que foi diferente em A Prisão do Rei é a trama, que se mostra muito mais lenta que nos livros anteriores. Até por volta da página 300, o livro foca mais na rotina da Mare na prisão e no desenvolvimento da parte política. Por outro lado, a partir daí o livro ganha muito em ação e se torna muito mais intenso e interessante. Só que essa falta de equilíbrio entre a primeira e a segunda parte acabam sendo um problema. A mudança de um ritmo mais morno para tanta ação foi muito brusca e acabou fazendo com que eu demorasse um pouco para me adaptar.
O livro, para mim, ainda teve um grande problema: o desfecho. Ao contrário do que aconteceu nos dois primeiros livros, os acontecimentos que mudariam tudo foram revelados quase cem páginas antes do fim. E, piorando tudo, os personagens tinham a oportunidade de se posicionar de uma outra maneira e trazer um desfecho diferente do que esperávamos. No entanto, eles reagem exatamente como o previsto e alguns deles perdem muito da evolução que tinham mostrado no decorrer do livro.
“Também parecia impossível. Exatamente como o caminho que temos pela frente, passando pela guerra e pela revolução. Todos poderemos morrer nos dias que virão. Podemos ser traídos. Ou podemos vencer.”

Com relação à escrita da Victoria Aveyard, acredito que ela teve altos e baixos nesse livro. Em alguns momentos, ela se mostrou muito mais consistente, especialmente pela boa construção dos personagens e no desenvolvimento da parte política. Porém, a falta de equilíbrio no ritmo da trama e um certo exagero nas descrições me incomodaram e tornaram a leitura um pouco cansativa em alguns momentos.


Não posso deixar de mencionar também a edição. Para começar, eu adoro as capas dessa série e com esse não foi diferente. Além disso, desta vez, finalmente temos um mapa, o que facilita muito a compreensão do posicionamento de Norta em relação aos países vizinhos e da Guarda Escarlate. Aliás, mapas deveriam ser obrigatórios em livros de fantasia. Destaque ainda para a fonte, que está em um tamanho bom para leitura, e para a revisão, que foi excelente.
De um modo geral, A Prisão do Rei não foi um livro tão arrastado quanto eu esperava e está longe de ser desnecessário. Porém, considerando o quanto gostei dos livros anteriores, foi uma leitura um pouco frustrante, especialmente o final. Ainda assim, ainda há várias questões a serem resolvidas e eu estou curiosa para ler o último volume, Tempestade de Guerra. Apesar de ter diminuído minhas expectativas em relação ao próximo livro, ainda defendo essa série e recomendo para quem gosta de uma fantasia bem construída, com personagens interessantes e uma trama repleta de surpresas.
E, para quem está aguardando ansioso por Tempestade de Guerra, o livro será lançado no dia 18 de maio e já está em pré-venda, com um pin da Guarda Escarlate de brinde. Se você ficou interessado, pode comprar através desse link no site da Amazon.

Apaixonada por literatura desde pequena, nunca consegui ficar muito tempo sem um livro na mão. Assim, o Dicas de Malu é o espaço onde compartilho um pouco desse meu amor pelo mundo literário.




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