Tag - Books and Colors



Olá, pessoal! Quem me acompanha aqui sabe que eu amo responder tags, mas são tantas disponíveis nessa internet que sempre acabam passando algumas sem eu ver. Já faz um tempinho que fui marcada pela Stephany do Ste Bookaholic e pela Ana do The Last Few Pages na tag Colors and Books e hoje eu, finalmente, vim responder para vocês.
Como vocês vão perceber, essa tag é bem simples e consiste em algumas perguntas que relacionam livros com cores. Mas, não é necessário escolher um livro que tenha a capa daquela cor. Na verdade, cada uma das cores foi associada a um estilo de livro e é preciso citar um que se enquadre. Então, sem mais enrolação, vamos às minhas respostas.

Roxo – Um livro de época
Eu tenho gostado cada dia mais de livros de época, então, poderia citar vários livros nessa pergunta. No entanto, eu não poderia de citar o meu romance de época favorito e que sempre recomendo para todo mundo (com mais de 18 anos): O visconde que me amava, da Julia Quinn. Eu ainda não terminei essa série, mas duvido que algum dos outros conseguirá superar o amor que senti por essa história e, especialmente, pelo seu mocinho, Anthony. Ainda não tem resenha dele aqui no blog, mas pretendo resolver esse problema em breve.

Azul – Um livro calmante
Normalmente, não é preciso muito para um livro me acalmar. O simples ato de sentar para ler já me desconecta dos problemas e faz com que eu relaxe. Porém, alguns livros têm um efeito ainda maior, como os da Carina Rissi, por exemplo. Então, não poderia deixar de mencionar Mentira Perfeita, que é o meu livro favorito da autora. Uma leitura muito divertida, fluida e envolvente, com o humor rápido já conhecido da autora e personagens muito cativantes. É daquelas leituras que nos conquistam logo nas primeiras páginas e fazem com que o leitor termine de ler com um sorriso bobo no rosto.

Verde – Uma aventura
Eu poderia ter citado vários livros que eu adoro nessa pergunta, mas o primeiro que me veio à mente e que é repleto de aventura do começo ao fim é O beijo traiçoeiro, da Erin Beaty. Como falei na resenha aqui, trata-se de uma leitura empolgante e envolvente, com reviravoltas e muitos acontecimentos importantes, incluindo perseguições, conspirações e batalhas. Em alguns aspectos, me lembrou muito o desenho da Mulan, então, já dá para imaginar que aventura é o que não falta nesse livro.

Amarelo – Uma fantasia
Como já dá para vocês imaginarem, fantasia é o meu gênero favorito e eu poderia facilmente citar uns 10 livros aqui. Porém, ainda estou sob efeito daquela maravilha de livro que é A heroína da alvorada (resenha aqui), então, tinha que indicar a trilogia A Rebelde do Deserto. Os três livros são incríveis, com personagens cativantes e um universo fantástico complexo e bem construído. É surpreendente pensar que são os primeiros livros da autora, mas ela já demonstrou habilidade para escrever uma excelente obra de fantasia e estou ansiosa para ler outros trabalhos da autora.

Vermelho – Romance
Se fantasia é meu gênero favorito, romance vem logo atrás. Então, fiquei muito em dúvida na hora de escolher um só. Mas o primeiro que me veio à cabeça é um que me surpreendeu positivamente quando li e me deixou ansiosa pela continuação: Espero por você, da Jennifer L. Armentrout. Ele foi meu primeiro contato com a escrita da autora e confesso que não esperava muito. No entanto, fui fisgada por uma trama envolvente, um casal muito cativante e um romance bem construído, que permite ao leitor entender o sentimento que surgia aos poucos entre os protagonistas e torcer por ele. Já tem resenha dele aqui, mas adianto que é um livro que tem tudo para agradar os fãs de romance.

Preto – Terror
Essa pergunta vai ficar sem resposta, pois este é um gênero que nunca li (e nem pretendo).

Branco – Mágico
Tem como pensar em um livro mágico e não citar Harry Potter? Essa série foi especial de várias maneiras para mim e teve um papel fundamental na minha vida como leitora. Foi o primeiro livro de fantasia que eu li e fiquei completamente fascinada com a história e o universo apresentados. Além disso, é impressionante como a cada vez que eu releio esses livros, ainda me encanto com o mundo criado por J. K. Rowling. É realmente mágico tudo que J. K. Rowling desenvolveu ao longo da série e como ela consegue fazer com que seus leitores tenham sempre a sensação de estarem voltando para casa quando pegam algum dos livros para reler e, ao mesmo tempo, se encantem como se fosse a primeira vez. .

E aí, gostaram da tag? Me contem o que acharam das minhas respostas e quais seriam as escolhas de vocês. E, caso tenham se interessado por algum dos livros citados, todos eles podem ser adquiridos no site da Amazon, aqui.

[Resenha] A Heroina da Alvorada (A Rebelde do Deserto #3)

Autora: Alwyn Hamilton
Editora: Seguinte
Páginas: 384
Onde comprar: Amazon
Sinopse: “No último volume da trilogia A Rebelde do Deserto, Amani vai se deparar com a escolha mais difícil que já teve que fazer: entre si mesma e seu país. Quando a atiradora Amani Al-Hiza escapou da cidadezinha em que morava, jamais imaginava se envolver numa rebelião, muito menos ter de comandá-la. Depois que o cruel sultão de Miraji capturou as principais lideranças da revolta, a garota se vê obrigada a tomar as rédeas da situação e seguir até Eremot, uma cidade que não existe em nenhum mapa, apenas nas lendas — e onde seus amigos estariam aprisionados. Armada com sua pistola, sua inteligência e seus poderes, ela vai atravessar as areias impiedosas para concluir essa missão de resgate, acompanhada do que restou da rebelião. Enquanto assiste àqueles que ama perderem a vida para soldados inimigos e criaturas do deserto, Amani se pergunta se pode ser a líder de que precisam ou se está conduzindo todos para a morte certa.”

A resenha de hoje é daquelas que comecei a escrever e mudei um milhão de vezes, pois é difícil falar do livro que encerra uma trilogia que você aprendeu a amar desde o primeiro momento. Acredito que uma das coisas que sempre preocupam qualquer leitor ao iniciar uma série é se, ao chegar ao final, sentirá que a jornada valeu a pena. Assim, considerando o quanto eu amei A Rebelde do Deserto e A Traidora do Trono, da autora Alwyn Hamilton, a expectativa para o livro que encerra a trilogia, A Heroína da Alvorada, não poderia ser maior.
Para quem não leu os dois primeiros volumes, eu só posso dizer que valeu muito a pena ler essa trilogia. Me envolvi com a história desde o primeiro livro e encontrei um dos universos mais interessantes e bem construídos que já li. No entanto, para explicar o que achei desse último volume, terei que falar sobre acontecimentos dos dois primeiros livros e, por esse motivo, recomendo para quem não leu A Rebelde do Deserto e A Traidora do Trono não continuar lendo esta resenha. Mas, se você já leu os dois, pode continuar tranquilamente, pois não haverá spoilers de A Heroína da Alvorada.
No primeiro livro, Amani era uma jovem que saiu de uma pequena vila em busca de sua liberdade e da possibilidade de escolher seu destino, mas acabou se envolvendo com uma rebelião e descobrindo um poder que não imaginava possuir. No segundo, ela foi capturada pelo sultão e descobriu um lado do país que desconhecia. Ela conseguiu fugir, mas outros rebeldes, incluindo o Príncipe Ahmed, foram presos. Agora, Amani precisará liderar os poucos amigos que escaparam para garantir que a revolução não seja sufocada.


Vocês não imaginam o quanto é difícil falar sobre esse livro. A minha vontade era resumir e falar apenas “LEIAM ESTE HINO”. No entanto, vou tentar controlar a empolgação e explicar para vocês os vários motivos que me levaram a amar esta leitura e considerar este livro o encerramento perfeito para uma trilogia que se tornou uma das minhas favoritas da vida.
Para começar, acredito que um dos aspectos que mais me conquistaram em A Heroína da Alvorada foi a evolução evidente da protagonista. Amani conquistou minha admiração já no primeiro livro por sua força e determinação, porém, ao longo de sua jornada, ela aprendeu mais sobre si mesma e seu país, aprendeu com os erros que cometeu e demonstrou uma grande capacidade de superar obstáculos. Além disso, a autora foi habilidosa ao retratar esse crescimento dela. Em diversos momentos, Amani passa por situações que relembram quem ela era na época em que saiu da Vila da Poeira e as decisões que tomou durante esse tempo, permitindo ao leitor perceber e entender melhor como ela mudou e amadureceu.
“E o que eu era? Ninguém. Uma garota com uma arma vindo dos confins do deserto. Para a maioria das pessoas, eu nem tinha nome. Era somente a Bandida dos Olhos Azuis.”
Além disso, a carga que Amani carrega é muito maior em A Heroína da Alvorada. Pela primeira vez, ela se vê em uma posição de liderança, com todas as responsabilidades que isso implica. Se falhasse, ela colocaria toda a revolução em perigo. Mas, mais do que a importância da missão, há ainda a o peso da culta por aqueles que viu morrer, que se sacrificaram ou que ela abandonou ao longo de sua jornada. As escolhas que ela precisa tomar são ainda mais difíceis e em muitos momentos ela não se sente digna da posição que está ocupando.
Assim, A Heroína da Alvorada mostra uma bonita jornada de amadurecimento e descobrimento. Nos dois primeiros livros, Amani conheceu suas habilidades e a real situação do seu país, mas ainda precisava entender quem era e onde se encaixava. No entanto, ela não é a única personagem a passar por transformações ao longo do caminho e apresentar um arco interessante. Todos os outros personagens são bem construídos pela autora e têm seu desenvolvimento destacado nesse último livro.
“Os seres primordiais podiam ser todo-poderosos, mas haviam nos criado para cumprir um único propósito que não conseguiam: dar a vida por aquilo em que acreditávamos.”

Em especial, gostei muito de acompanhar o amadurecimento do Jin. Ele tinha vários conflitos, especialmente quanto à sua dificuldade de se conectar com o país onde nasceu e à sua relação com o irmão, Ahmed. É interessante ver como ele vai aprendendo a lidar com essas questões que sempre o dividiram e se mostra um personagem muito mais maduro. Porém, quem teve o arco mais significativo e que me emocionou foi o Sam. Ele sempre foi um personagem muito cativante, mas, nesse último volume, seu crescimento foi palpável e suas escolhas revelam tanto sobre essa mudança que é impossível não se sentir tocado.


Além dos personagens, a trama do livro é muito bem construída. O enredo é muito dinâmico, com reviravoltas, acontecimentos que mantêm um clima de tensão do começo ao fim e muita emoção. Além disso, há vários elementos que enriquecem a trama e a tornam mais interessante, começando pela parte política. É muito interessante acompanhar os rebeldes lutando para liderar seu povo de um líder tirano, mas também para defender seu país dos estrangeiros. Aliás, há várias referências ao que acontece no nosso mundo, como, por exemplo, a influência de países ocidentais nos conflitos do Oriente Médio.
“Nosso deserto – não deles, para marchar com seus exércitos e o conquistar através de barganhas e alianças, enquanto enterravam seus mortos e possibilitavam que nossos monstros prosperassem. Aquele era nosso deserto, não deles, e de nenhum gallan nem de nenhum outro povo do norte vindo das fronteiras do horizonte.”
É importante destacar, no entanto, que a trama também tem espaço para o romance, mas sem deixar que ele tire o foco em momento algum. Amani e Jin estão mais maduros e seguros do que sentem um pelo outro, mas também têm consciência do que estava em jogo e qual deveria ser a prioridade deles. Além disso, essa postura dos dois acaba contribuindo para que o amor deles se torne mais palpável e bonito de acompanhar. É um romance que aparece nos momentos certos da história, sem se tornar forçado ou cansativo, e que contribuiu para que o leitor se preocupe ainda mais com o destino dos personagens.
“Mas então ele se perguntou se um garoto do mar e uma garota do deserto poderiam sobreviver juntos. Temia que ela pudesse queimá-lo vivo ou que ele pudesse afogá-la. Até que finalmente parou de lutar contra o desejo e ateou fogo em si mesmo por ela.”
Já o universo criado por Alwyn Hamilton se mostra ainda mais fascinante e complexo neste livro. A autora aprofundou nos elementos da mitologia árabe e soube trabalha-los muito bem ao longo da história, fazendo com eles fossem mais do que aspectos fantásticos da trama, mas tivessem impacto direto nos acontecimentos da trama.
Outro ponto que gostei bastante foi o fato de que Alwyn Hamilton, de uma maneira muito delicada, demonstra no livro a importância de lendas, mitos e do ato de contar histórias. Em vários momentos, acontecimentos relevantes são narrados como uma lenda, deixando-os mais lúdicos e cheios de significado. Além disso, a autora mostra como que uma história que se espalha pode criar mitos ou derrubar líderes, podendo afetar profundamente a vida das pessoas.
“As histórias seriam imperfeitas, as lendas seriam incompletas. Mas mesmo que o deserto esquecesse nossas mil e uma noites, saber que ele falaria sobre nós já era o suficiente. Que muito tempo depois de nossa morte, homens e mulheres sentados em volta da fogueira ouviriam que uma vez, muito tempo atrás, antes de sermos somente histórias, nós vivemos.”

O desfecho foi coeso e bem construído. A autora não deixou pontas soltas e nem se esqueceu de nenhum personagem. Assim, terminamos o livro sabendo o destino de cada um deles, gostando ou não das decisões da autora. Além disso, ela nos dá um panorama do futuro daquele país e das consequências que os acontecimentos narrados tiveram nos anos que se seguiram, algo que deixa a história ainda mais coesa e dá um significado maior para tudo que aconteceu. 



Com relação à escrita da autora, só posso dizer que a Alwyn Hamilton me conquistou mais uma vez e me fez ter a certeza que vou querer acompanhar todos os seus próximos trabalhos. Ela conseguiu escrever uma trama extremamente dinâmica, mas que não se perde e nem impede o desenvolvimento dos personagens, amarrando todos os pontos que vinham sendo construídos desde o primeiro livro. Além disso, me impressionou o fato de que a escrita dela está muito mais poética nesse livro, me levando a ficar arrepiada em alguns momentos pela forma delicada e sensível com que determinados acontecimentos estavam sendo narrados.
Por fim, não posso deixar de mencionar a beleza desta edição. A capa é uma das mais lindas que já vi, mantendo o padrão dos dois livros anteriores, e todo começo de capítulo conta com detalhes nas bordas que remetem ao universo árabe. O livro tem ainda um mapa e uma lista com os personagens, que facilitam muito a vida de quem tem uma memória ruim e não se lembra com detalhes dos dois primeiros volumes. Além disso, as páginas são amareladas e o tamanho da fonte é ideal, deixando a leitura muito confortável.
Deste modo, só posso dizer que A Heroína da Alvorada é o desfecho perfeito para uma trilogia que me encantou desde o primeiro livro e se tornou uma das minhas favoritas da vida. É impressionante lembrar que A Rebelde do Deserto é o romance de estreia da Alwyn Hamilton e que, com apenas três livros, ela conseguiu criar um universo rico e fascinante, personagens complexos e cativantes, e uma trama praticamente irretocável. Não preciso nem dizer que recomendo muito essa leitura, especialmente para os fãs de fantasia, e estou ansiosa para conferir outros trabalhos da autora.
E vocês, já leram está trilogia? Me contem o que acharam e se já leram ou ainda querem ler este último volume. Aproveito também para avisar que a Editora Seguinte liberou gratuitamente um e-book com contos dentro deste universo, Contos de Areia e Mar, em várias livrarias online. Para quem quiser adquirir este ou os outros livros da série, vou deixar o link de compra na Amazon aqui.

Sete livros YA para refletir



Essa semana, uma marca fez uma ação de marketing um tanto polêmica (para não dizer questionável) que acabou reacendendo o debate sobre os rótulos dos tipos de livros e de leitores. Infelizmente, ainda há quem menospreze os livros contemporâneos, especialmente os Young Adults, e os classifique como rasos e inferiores, não exigindo que o leitor reflita ou se concentre no que está lendo. Pior ainda, tem quem acredite que aqueles que lêem apenas clássicos e livros de autores renomados são leitores superiores aos demais
Em um país em que a maioria da população não lê nada, colocar esse tipo de estereótipos e divisões entre os leitores não contribui em nada para o incentivo à leitura. Além disso, reforça dois tabus perigosos: o de que livros clássicos são cansativos e só quem tem um nível de conhecimento mais avançado conseguirá ler, desestimulando muitas pessoas a conhecerem esses livros; e o de que livros contemporâneos são fracos e não merecem a atenção do leitor, o que, além de um preconceito infundado, ainda leva muitos a menosprezarem obras que nem mesmo conhecem.
Então, pensando em toda essa polêmica, resolvi fazer uma lista com alguns livros YA que trazem temas fortes e importantes, que precisam ser discutidos. São todos livros que, mesmo sendo leituras envolventes e cativantes, abordam assuntos sérios e relevantes para os dias atuais, fazendo o leitor pensar sobre as questões levantadas.

O ódio que você semeia, da Angie Thomas
Inspirada pelo movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam, em tradução literal), a autora Angie Thomas escreveu um romance jovem adulto forte, real e emocionante sobre o racismo e a violência policial nos Estados Unidos. Já saiu resenha sobre ele aqui no blog, na qual eu falei mais sobre o quanto essa leitura foi impactante, mas é um livro que realmente tira o leitor da zona de conforto e o leva a parar para pensar em uma realidade que é tão triste e injusta e que não acontece só nos EUA.

O sol também é uma estrela, da Nicola Yoon.
Uma das melhores leituras que fiz ano passado (resenha aqui), esse livro traz vários temas que são muito importantes e atuais. Protagonizado por uma menina jamaicana cuja família imigrou ilegalmente para os EUA quando ela ainda era uma criança e um menino americano filho de sul-coreanos, esse livro fala sobre identidade cultural, xenofobia, política de imigração e racismo. Acho que não preciso nem dizer o quanto esses assuntos são relevantes, ainda mais depois da eleição de Donald Trump nos Estados Unidos.  Além disso, Nicola Yoon ainda traz uma abordagem sensível sobre como as pessoas estão sempre interligadas e podem afetar as vidas umas das outras de maneira profunda, mesmo daquelas que nem conhecem. É um livro muito delicado e apaixonante, mas que certamente faz o leitor refletir sobre assuntos atuais e muito importantes.

Tartarugas até lá embaixo, do John Green.
Sei que tem muitas pessoas que não gostam do John Green e eu até consigo entender algumas críticas feitas a ele, porém, ele fez um trabalho incrível no seu mais recente trabalho, Tartarugas até lá embaixo. Como já mencionei na resenha sobre ele (aqui), esse livro é muito mais do que sua sinopse deixa transparecer e fala de uma maneira muito real e tocante sobre o Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC). Trata-se de um tema bastante relevante, ainda mais que esse distúrbio tem sido banalizado e menosprezado por muitos que acham que só porque não gostam de ver um quadro torto na parede e já falam que têm TOC. Na verdade, esse transtorno é muito, mas muito mais complexo do que isso, e John Green foi extremamente habilidoso em falar sobre o tema e fazer o leitor entender o que realmente é o tema. Foi uma leitura que realmente me tirou da minha zona de conforto e me abriu os olhos para muitas coisas.

A rebelde do deserto, da Alwyn Hamilton
Terminei recentemente esta trilogia e posso dizer que foi uma das melhores que já li. Para começar, a autora apresenta um cenário que não é muito comum vermos retratado nos livros, o deserto, ela traz para a trama vários elementos da mitologia árabe, que é pouco conhecida da maioria das pessoas. Além disso, mesmo se tratando de uma obra de fantasia, ao longo dos três livros, são debatidos temas muito importantes e pertinentes na nossa sociedade, como o machismo e a opressão enfrentada pelas mulheres, e referências à Primavera Árabe e à influência de países imperialistas nos conflitos em países do Oriente Médio. Para quem se interessou, tem resenha dos dois primeiros livros aqui e aqui.

Em algum lugar nas estrelas, da Clare Vanderpool
Quem lê a sinopse desse livro, acha que é uma trama bobinha, quase o roteiro de um filme da Sessão da Tarde. No entanto, como disse na resenha aqui, é um livro cheio de metáforas e reflexões sobre a vida, sobre o crescimento e sobre os sentimentos. Não se trata de uma leitura rasa e muito menos fácil, pois é preciso sair da sua postura de adulto e ter a sensibilidade para enxergar com a história com a inocência das crianças. Protagonizado por dois meninos de 13 anos, que são personagens surpreendentemente complexos, esse livro tem uma história encantadora e cheias de lições, basta o leitor parar para pensar nas reflexões que ficam nas entrelinhas.

A ilha dos dissidentes, da Barbara Morais
Além dos livros jovem adulto, os nacionais sempre enfrentam muitos preconceitos. Então, imagine o quanto os livros jovem adulto nacionais são menosprezados por aí. No entanto, existem vários autores brasileiros muito talentosos e com livros que merecem ser lidos. Um dos meus favoritos é A Ilha dos Dissidentes, da Barbara Morais (resenha aqui). Trata-se de uma distopia com um universo muito original e bem construído, que permitiu à autora explorar temas como a desigualdade, a segregação e o preconceito com as diferenças. É um livro extremamente representativo e que traz várias críticas à nossa sociedade e que fazem o leitor refletir e sair da sua zona de conforto.

Harry Potter, da J. K. Rowling
É óbvio que um livro que inspirou milhares de jovens e adultos a lerem não poderia ficar de fora dessa lista. O simples fato de Harry Potter permanecer formando, até hoje, novas gerações de leitores desde que foi lançado, há mais de 20 anos, já é um forte indicativo de sua importância sobre a literatura. O universo criado por J. K. Rowling é rico, complexo e bem construído, capaz de encantar adultos e crianças. Além disso, é uma obra que fala sobre amizade, preconceito, amadurecimento, dicotomia entre o bem e o mal, e, até mesmo, sobre política e os perigos de um regime extremista e totalitário.

Bônus: É assim que acaba, da Colleen Hoover
Esse livro é um new adult, mas resolvi incluí-la na lista pela relevância dos temas que ele aborda. Dos livros da Colleen Hoover, esse foi o mais profundo e tocante que já li. Ela toca fundo em um assunto muito doloroso, mas que precisa ser discutido. É uma leitura que, mais do que levar o leitor a refletir, desperta a empatia e a sororidade. Acredito que seja impossível ler essa obra e não se colocar no lugar de algumas de suas personagens ou das milhares de mulheres que passam pelas mesmas situações todos os dias. A resenha sobre ele sairá em breve aqui no blog, mas trata-se de um livro intenso, forte, doloroso de ler e extremamente necessário.

Esses foram só alguns exemplos de livros contemporâneos que eu já li e que trazem temas importantes e fazem o leitor sair de sua zona de conforto e parar para refletir. Acredito que precisamos acabar com esses rótulos e preconceitos entre os leitores e entender que o fato de não gostarmos de um livro não significa que ele seja fraco, mal escrito ou irrelevante.
Aproveito também para lembrar que muitos livros considerados clássicos hoje, já foram menosprezados anos atrás. Um exemplo disso é a autora inglesa Jane Austen, que é considerada uma das maiores escritoras da literatura por ter feito um retrato brilhante da sociedade em que viveu, repleto de críticas aos padrões e preconceitos da época, mas cujos livros já foram considerados “de mulherzinha”; obras inferiores que serviam apenas para entreter o público. Então, quem garante que alguns livros contemporâneos que não são valorizados hoje, não se tornarão clássicos futuramente?
Agora, quero saber de vocês o que acharam dos livros Young Adult que eu indiquei, se recomendam outros e o que pensam dessa polêmica envolvendo esses rótulos em relação aos livros contemporâneos. Me contem aí nos comentários, pois vou adorar saber a opinião de vocês. Só peço que não desrespeitem os gostos e opiniões de outros, tá?

[Resenha] Uma sombra ardente e brilhante

Autora: Jessica Cluess
Editora: Galera Record
Páginas: 336
Skoob
Onde comprar: Amazon
Exemplar recebido em parceria com a editora
Sinopse: “O primeiro livro da série de Jéssica Cluess, perfeito para surpreender fãs de fantasias já bem habituados com magia, profecias e triângulos amorosos. Henrietta Howel tem o poder de explodir em chamas. Quando é obrigada a expor suas habilidades ela tem certeza de que será executada. Apenas os feiticeiros podem usar magia, e nenhum deles é mulher. Ela se surpreende quando não só é poupada da guilhotina, mas também nomeada a primeira feiticeira em séculos. Ela é a garota profetizada, aquela que derrotará os Ancestrais – seres sanguinários que aterrorizam a humanidade. Henrietta então passa a treinar dia e noite com um grupo de feiticeiros ansiosos para testar as habilidades – e o coração – da garota da profecia. Mas será que Henrietta é mesmo a garota da profecia?”

“Eu sou Henrietta Howel. A primeira feiticeira em séculos. A garota que consegue controlar o fogo. Aquela que derrotará os Ancestrais. A escolhida. Sou mesmo?”
A série “livros de fantasia que me conquistaram pela capa” ganhou um novo capítulo: Uma sombra ardente e brilhante, da Jessica Cluess, que foi lançado no final do ano passado pela Galera Record. Quando eu olhei essa capa, não precisei nem ler a sinopse para saber que se tratava de um livro de fantasia e que eu já queria ler. Felizmente, meu palpite se mostrou correto e gostei bastante da leitura.
Primeiro volume de uma trilogia, Uma sobra ardente e brilhante tem como protagonista Henrietta Howell, uma jovem professora em uma escola para garotas que não tem grandes perspectivas de algum dia conseguir ir embora dali, mas que esconde um grande segredo. Ela tem uma misteriosa habilidade mágica associada ao fogo e é conjurar chamas do nada. Porém, em uma Inglaterra vitoriana machista, mulheres não eram autorizadas a usar magia e esse talento da garota poderia acabar significando uma passagem só de ida para a cadeia.
No entanto, quando, em uma situação de desespero, Henrietta usa seu poder na frente de um poderoso feiticeiro e acaba descobrindo que vinha sendo procurada há muito tempo. Existia uma profecia que dizia que uma feiticeira iria surgir e derrotar os Sete Ancestrais – demônios que haviam sido libertados anos antes por um casal de magos e atavam a Inglaterra, levando caos e destruição. Quando mestre Aggripa descobre o poder Henrietta, fica claro que ela era a garota da profecia e que deveria ser levada para Londres a fim de ser treinada juntamente com outros Iniciantes que, em breve, receberiam a comenda da Rainha e se tornariam feiticeiros.
O problema é que não seria tão fácil para Henrietta conquistar a aceitação dos demais feiticeiros. Muitos não viam com bons olhos uma garota feiticeira e até mesmo duvidavam que a profecia estivesse correta. Além disso, durante seu treinamento, Henrietta percebe que ela poderia realmente não ser mesmo a garota que todos esperavam, o que a colocaria em uma posição extremamente perigosa.


Uma das coisas que mais gostei nesse livro foi como a autora usa a proibição das mulheres de usar magia para mostrar o machismo da era vitoriana e que, infelizmente, persiste até hoje (mesmo que em menor grau). Além disso, é quando Henrietta, uma garota negra, chega em uma Londres totalmente dominada por homens brancos, que o preconceito daquela sociedade fica mais evidente. Os outros feiticeiros custam a aceita-la como um deles e, além de estar bem atrasada em termos de treinamento, Henrietta precisa se esforçar muito mais para provar seu valor.
“Às vezes, parece que moças são treinadas desde o nascimento para jamais contribuírem com nada de original numa conversa.”
No entanto, ela é uma protagonista que se mostra à altura dos desafios. Apesar das dificuldades em se adaptar a uma realidade que era totalmente nova para ela em um ambiente que, muitas vezes, se apresenta hostil, Henrietta demonstra uma personalidade forte e uma determinação impressionante. Lógico que, sendo uma garota de apenas dezesseis anos, órfã e sem nunca ter conhecido o carinho da família, ela tem seus momentos de fraqueza e vulnerabilidade. No entanto, isso acaba fazendo com que ela seja mais humana e real para o leitor.
Outro ponto que gostei bastante nesta personagem é o quanto ela se mostra leal. Seu melhor amigo, Rook, é considerado um Impuro, por ter sido atacado por um dos ancestrais. No entanto, em momento algum ela considera abandoná-lo. O laço entre eles é bonito, apesar de ficar balançando entre o amor e a amizade; e, mesmo com as dúvidas em relação aos seus sentimentos e as mudanças que ocorrem na vida dos dois quando vão para Londres, eles se esforçam para continuarem se apoiando e se protegendo.
“Os feiticeiros eram diferentes de todos os outros, irremediavelmente diferentes. (...) Meu caminho atual estava me levando para longe de pessoas como Lilly, Charley e Rook, os tipos com quem eu havia crescido. O tipo de pessoa que eu havia sido.”
Além de Rook, há outros personagens que vão ganhando destaque na trama e que acabaram se tornando importantes na vida de Henrietta. Começando com Julian Magnus, o primeiro aprendiz a reconhecê-la como uma igual e aceita-la no grupo treinado pelo mestre Aggripa. Por outro lado, George Blackwood, o jovem Conde de Sorrow-Fell, não parece acreditar nem um pouco que ela seja a garota da profecia e se mostra sempre disposto a criticá-la. Mas, acreditem ou não, ele acabou se mostrando um dos personagens mais complexos do livro e se tornou o meu favorito. Há ainda um misterioso mago, Hargrove, que se mostra fundamental na jornada de Henrietta e que, com um jeito prático e um humor bastante ácido, me lembrou o Haymitch da trilogia Jogos Vorazes (inclusive, já quero um filme com o Woody Harrelson interpretando esse personagem).
É claro que em um livro que com tantos adolescentes não poderia faltar romance, né? No entanto, felizmente, ele aparece de maneira sutil e não tira o foco da trama principal. Com exceção de um único personagem, cujos sentimentos ficam mais claros a partir de um determinado ponto, todos os outros ficam mais nas entrelinhas e é realmente difícil apontar qual casal ficará junto. No entanto, confesso que apenas uma das possibilidades me empolgou e torço muito para que ela se concretize nos próximos livros.


Com relação ao universo, Jessica Cluess foi muito habilidosa em inserir o leitor nesse mundo mágico. Não tive dificuldade nenhuma para me adaptar àquele ambiente ou entender como ele funcionava. Além disso, achei muito interessante o fato da autora ter misturado elementos fantásticos com um período histórico real. No livro, vemos a rainha Victória presente na história, assim como muitos aspectos da sociedade inglesa da Era Vitoriana, mas também magos, feiticeiros e bruxos, além de criaturas terríveis que ameaçavam a segurança da Inglaterra. É possível perceber também como até entre aqueles com habilidades mágicas estavam refletidos os preconceitos e os padrões rígidos de comportamento daquela época.
“– Não podemos confiar neles, Nettie. – Ele estava resoluto. – Não deveríamos ter que fingir para sermos aceitos.”
A minha única ressalva é que achei o ritmo morno na maior parte do livro. Como vemos Henrietta em uma fase de adaptação à sua nova vida, não há tanta ação no começo. Além disso, acredito que os Ancestrais acabaram ficando como uma ameaça um tanto abstrata. Eu tive dificuldade em enxergá-los como algo realmente temível e, por isso, achei que faltou um certo senso de urgência para deixar a leitura mais envolvente.
No entanto, da metade para o fim, esse aspecto melhora consideravelmente e a trama ganha um ritmo mais intenso. O desfecho conta com algumas reviravoltas que deixaram a trama mais interessante e terminei a leitura com a expectativa de que, neste volume, encontrei apenas a apresentação de uma trama que se tornará muito maior nos próximos volumes. Apesar de não ser um final totalmente aberto, a autora deixou pontas a serem exploradas e foi habilidosa para escrever isso de um jeito que realmente motive o leitor a ler as continuações.
Com relação à edição, como eu já disse no início da resenha, adorei esta capa desde que a vi. Depois de concluir a leitura, gostei ainda mais, pois combina perfeitamente com o livro. As páginas amareladas e o tamanho da fonte também estão ótimos para leitura e achei que a revisão estava muito boa. Só senti falta de um mapa que permitisse ao leitor visualizar melhor como estavam espalhados os ataques dos Ancestrais no território inglês, mas não foi algo que tenha dificultado a compreensão da história.
Em resumo, Uma sombra ardente e brilhante pode ter sido uma leitura que começou a me conquistar pela capa, mas certamente o conteúdo não me decepcionou. Adorei o universo criado pela Jessica Cluess, bem como os personagens e a forma como a trama foi desenvolvida. Mesmo faltando um pouco de ação no começo, a leitura não foi cansativa em momento algum graças a escrita fluida e envolvente da autora. É um livro que deve agradar aqueles que amam fantasia e romances históricos, inaugurando muito bem a trilogia. Ele certamente despertou o interesse pelas continuações e já estou ansiosa para que o segundo seja publicado no Brasil. 

[Resenha] Menina Veneno

Autora: Carina Rissi
Editora: Galera Record
Páginas: 192
Skoob
Onde comprar: Amazon
Exemplar recebido em parceria com a editora
Sinopse: “Contada sob a perspectiva ferina e cheia de humor ácido de Malvina, a madrasta, essa história vai te surpreender. Da mesma autora da série best-seller Perdida Você conhece a história de uma certa princesa que sofreu inúmeras tentativas de assassinato por sua madrasta, uma delas com uma maçã envenenada. O bem contra o mal, a indefesa donzela ameaçada pela perversa Rainha... É bonito, não é mesmo? Francamente, me embrulha o estômago só de falar dessa história da carochinha. Eu não sou uma bruxa, não sou má e eu nunca planejei matar ninguém. Por anos, fui a maior modelo do planeta, o nome mais poderoso do mundo da moda... Até o dia em que a insossa da minha enteada, Bianca, roubou a minha maior campanha. Dá pra acreditar? Bianca é tão sonsa... e tem esse arzinho azedo e avoado que me dá vontade de voar no pescoço dela... Eu sei, parece mesmo que eu fiz tudo o que a imprensa me acusa de ter feito. Mas não foi bem assim. Senta aqui e me ouça até o fim. Depois me diga se acha mesmo que mereço o título de Rainha Má... Talvez só Rainha seja muito melhor.”

Quem não conhece a história da Branca de Neve em que a madrasta má, com inveja da beleza da enteada, decide envenená-la com uma maça? Mas, e se a madrasta não fosse tão má assim e nem a Branca de Neve tão inocente? É essa a história que a Carina Rissi se propôs a contar em Menina Veneno, uma releitura moderna do famoso conto da Branca de Neve.
Nessa versão, a Madrasta Má se chama Malvina e é uma modelo super famosa, garota propaganda de uma importante marca de perfume, a Menina Veneno. Casada com um piloto de Fórmula Indy milionário, Henrique Neves, Malvina tinha a vida perfeita; ou quase, se ela não levasse em consideração sua enteada adolescente, Bianca. No entanto, Henrique morreu precocemente em um acidente durante uma corrida, deixando Malvina com uma grande herança e a indesejada tutela de Bianca.

Os problemas de Malvina começam quando os donos do perfume Menina Veneno percebem que as vendas não estavam tão boas e decidem mudar os rumos da campanha publicitária. Assim, resolvem mudar a garota-propaganda por um novo rosto, mais precisamente o de Bianca Neves. Em pouco tempo, a garota começa a ganhar cada vez mais espaço na mídia e Malvina não poderia deixar que a enteada a ofuscasse não é mesmo? Então, segundo ela, ninguém poderia culpá-la por suas decisões após conhecer a verdadeira história.


Eu confesso que tenho adorado releituras modernas que trazem novas perspectivas para os contos de fadas. Então, mesmo nunca tendo sido muito fã da Branca de Neve, fiquei curiosa para conhecer a versão da madrasta da história. Além disso, sempre tive total confiança na escrita da Carina Rissi e em sua capacidade de escrever uma história leve, divertida e envolvente.
“Ah! Eu estava ansiosa para que você chegasse, meu bem. Não é sempre que tenho a oportunidade de narrar o que aconteceu comigo. Você provavelmente já escutou essa história antes, mas com certeza não ouviu a verdadeira história. Não que eu possa culpá-lo por isso.  A imprensa adora transformar alguém em vilão. Ou vilã, como é o caso.”
Gostei bastante da ideia de trazer um outro lado da história em que a madrasta não é tão má e a Branca de Neve está longe de ser tão boazinha quanto no conto de fadas. Porém, a maneira como as personagens foram construídas acabou fazendo com que eu tivesse dificuldade de me afeiçoar a qualquer uma delas. A Bianca é realmente tudo que Malvina a acusava de ser e, à medida que a leitura avançava, eu só conseguia detestar mais a menina.
No entanto, o fato de Bianca ser mesmo uma adolescente mimada, sem graça e irritante, não torna a Malvina uma protagonista carismática. Ela é fútil, arrogante, vaidosa e egoísta, fazendo com que seja difícil torcer por ela ou desculpar suas atitudes. Eu entendo que a autora quis mostrar uma dualidade na personagem, que não era totalmente boa ou má. No entanto, a história é toda narrada por Malvina e, como é difícil simpatizar com ela, a leitura acaba se tornando um pouco cansativa.

“Ela não é a mulher mais linda e perfeita que você já viu na vida? Eu concordo. E tenho a grata satisfação de vê-la todos os dias, quando me olho no espelho.”

Por outro lado, alguns personagens secundários são mais carismáticos e acabam ajudando bastante. Adorei ver a relação da Malvina com Sarina, sua assistente, e Abel, seu motorista. Os dois eram extremamente leais a ela e sempre estavam dispostos a ajudá-la, mas também não se faziam de cegos aos seus defeitos e, muitas vezes, tentavam chamá-la de volta para a realidade. O Abel, em especial, foi meu personagem preferido e, sempre que aparecia, acrescentava bastante à história.



A trama se desenvolve em um bom ritmo, que é característico dos livros da Carina Rissi. A forma como a história é narrada faz com que seja rápido entender as motivações de Malvina e o que a levou a tomar medidas um tanto radicais em relação à enteada. Além disso, a autora também explica o passado da protagonista, o que ajuda o leitor a compreendê-la, mas não deixa que essas explicações quebrem o ritmo da história ou tornem a leitura lenta.
“Bem, um dos segredos do sucesso é saber lidar com os erros. E, quando se erra, só se tem duas opções: para baixo ou para cima. Ficar se lamentando eternamente ou fazer alguma coisa a respeito.”
No entanto, o que realmente me incomodou no livro é que, como temos a visão de Malvina o tempo todo, em vários momentos há um excesso de comentários fúteis e descrições de lugares, pessoas e até dos rituais de beleza da protagonista. Esses momentos não só aumentaram minha antipatia pela personagem como ainda tornaram a leitura cansativa. E mesmo que o humor característico dos livros da Carina Rissi esteja presente e eu tenha gostado do sarcasmo com que Malvina narra os acontecimentos, isso não foi o suficiente para me manter envolvida com a leitura. Apesar de ter me divertido em vários momentos, chegou um ponto em que estava tão cansada da Malvina e da Bianca que deixei de me importar com o que aconteceria com elas e a história perdeu a graça. Uma história mais curta e sem descrições desnecessárias teria funcionado melhor.
Com relação à edição, preciso dizer que a Galera Record caprichou nos mínimos detalhes. A capa tem tudo a ver com a história e dentro do livro há diversas ilustrações e manchetes de revistas e jornais que permitem perceber o declínio de Malvina na mídia bem como a ascensão da Bianca. As páginas são amareladas e achei a fonte com um ótimo tamanho, deixando a leitura bem confortável.
Menina Veneno tem uma ótima proposta e que é divertida em alguns momentos, mas acredito que tenha sido mais eficiente em seu formato original, um conto publicado no Livro dos Vilões. No entanto, ainda é uma leitura rápida, que traz uma perspectiva original e diferente da clássica história da Branca de Neve. É uma ótima opção para quem procura um livro leve para ler em uma tarde tranquila.

Lidos de março



Olá, pessoal! Agora que março (aquele ano disfarçado de mês) terminou, eu vim contar para vocês quais foram os livros lidos nesse período. Talvez por ter sentido que foi um mês muito arrastado, fiquei com a impressão de que as minhas leituras não tinham rendido. No entanto, quando fui olhar as minhas anotações, percebi que consegui ler oito livros e a maioria foram ótimas leituras.
Apesar de não ter cumprido a meta que tinha estipulado, consegui ler alguns livros que estavam na minha lista de desejados há muito tempo e ainda li mais livros de fantasia, algo que estava com saudades de fazer. Aliás, esse mês teve livro dos meus gêneros favoritos: romance de época, Young Adult, chick-lit e, como já falei, fantasia.
Então, sem mais enrolação, vamos aos lidos de março:

Um perfeito cavalheiro, da Julia Quinn: Dando continuidade à série Os Bridgertons, eu li o terceiro volume. Trata-se de uma releitura apaixonante da Cinderela, que sempre foi meu conto de fadas preferido. Admito que esse livro não superou o segundo volume da série, O Visconde que me Amava, mas ainda foi uma leitura leve e divertida como só a Julia Quinn sabe escrever. Em breve, vou postar a resenha aqui no blog.

Seduzida por um guerreiro escocês, da Maya Banks: Confesso que enrolei para ler esse livro por dois motivos. O primeiro, é que esse título me deixava com os dois pés atrás (acho brega, pronto falei). O segundo, e mais importante, é que já vi várias críticas a uma outra série de romances de época da autora por romantizar relacionamentos abusivos, algo que eu não consigo aceitar. No entanto, para minha surpresa, ela acertou a mão em Seduzida por um guerreiro escocês e, além do relacionamento estar longe de ser abusivo, ele é muito bem construído. É uma relação cuja base é o respeito e a admiração mútua, e é impossível não se encantar com esse casal. Vou fazer a resenha em breve, mas já adianto que é um dos melhores romances de época que já li.

O beijo traiçoeiro, da Erin Beaty: Primeiro volume de uma trilogia, esse foi um dos meus favoritos do mês que passou, com um excelente equilíbrio entre fantasia, romance e aventura. Foi uma leitura muito especial, que me conquistou pelo carisma dos personagens e a forma envolvente como a trama foi construída. Além disso, confesso que algumas coisas fizeram com que eu me lembrasse do desenho da Mulan, que é um dos meus preferidos da vida, o que contribuiu ainda mais para que eu gostasse da leitura. Falei mais sobre ele na resenha aqui, mas é um livro que não me canso de recomendar para todo mundo.

Menina Veneno, da Carina Rissi: Como uma pessoa que adora os livros da Carina Rissi e ama releituras de contos de fadas, eu tinha grandes expectativas para Menina Veneno. No entanto, apesar da escrita da Carina continuar leve e com um humor irônico que eu adoro, a leitura ficou longe do que eu esperava. Ainda vou falar sobre ele com mais detalhes na resenha, mas já adianto que, apesar de não ser um livro ruim, deixou a desejar e foi minha única decepção de março.

O último dos magos, da Lisa Maxwell: Quem leu minha resenha aqui, sabe o quanto esse livro me empolgou. Foi meu primeiro contato com a escrita da Lisa Maxwell e eu fiquei apaixonada pela leitura. Ela criou um universo muito interessante, personagens complexos e carismáticos e uma trama muito envolvente. Sem dúvida, a continuação dele, que deve ser publicada no segundo semestre nos Estados Unidos, se tornou um dos lançamentos que estou mais ansiosa para conferir.

O cara dos meus sonhos (ou quase), da Jenn Bennett: Sabe aquele livro Young Adult que quando a gente começa já sabe como vai acabar, mas mesmo assim fica encantado com a leitura? Foi exatamente isso que aconteceu comigo enquanto lia este livro. Desde que li a sinopse, já imaginava o que iria acontecer, porém, o que me surpreendeu e encantou foi a jornada dos personagens, o quanto eles amadureceram e como o relacionamento deles foi construído. Ainda vou escrever uma resenha sobre ele para poder explicar os motivos que fizeram com que eu me apaixonasse por esse livro, mas já adianto que terminei a leitura com um sorriso no rosto e uma sensação de coração quentinho.

Felicidade para humanos, do P. Z. Reizen: Esse livro tem uma das premissas mais divertidas e originais que já li, o que contribuiu muito para que a leitura me envolvesse rapidamente. No entanto, confesso que esperava mais dele. O autor tinha possibilidade de se aprofundar um pouco em temas muito legais, mas se perdeu no meio do caminho. No entanto, como comentei na resenha (aqui) o livro não chegou a se tornar uma decepção, porque o carisma dos personagens fez com que a leitura fosse divertida.

Um sedutor sem coração, da Lisa Kleypas: Um mês que começou com um romance de época só poderia terminar com outro né? Desta vez, foi um lançamento deste ano da Editora Arqueiro da autora Lisa Kleypas. Ele inaugura a série Os Ravenels e traz um romance bem construído, original, divertido e apaixonante. Mais uma vez me encantei pela escrita da autora e pelos personagens criados por ela, e não vejo a hora de ler as continuações. Já escrevi resenha sobre ele aqui no blog e recomendo muito para quem ama romance de época e para os que desejam começar a conhecer o gênero.

E vocês, o que leram ao longo de março? Espero que tenham sido leituras maravilhosas. Me contem aí nos comentários os seus livros lidos e quais da minha lista vocês já leram ou querem ler.   
E, caso tenham se interessado por algum dos livros citados, não deixem de comprar pelo link de compra na Amazon: aqui. Fazendo suas compras através dele, vocês ajudam o Dicas de Malu, sem custos extras.

Apaixonada por literatura desde pequena, nunca consegui ficar muito tempo sem um livro na mão. Assim, o Dicas de Malu é o espaço onde compartilho um pouco desse meu amor pelo mundo literário.




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